sexta-feira, 26 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
EDUCAÇÃO NAS PRISÕES
É possível
sonhar estando preso? Reflexões sobre a Educação de Jovens e Adultos na prisão
em Campos Belos!
*Por
Josivaldo Moreira de Carvalho e Pedro Ferreira
Com muito esforço e dedicação, bem como
contrariando a vontade de boa parte da sociedade temos acompanhado em Campos
Belos a educação de jovens e adultos que se encontram detidos no presidio da
cidade. Sabemos que não é um trabalho fácil, sobretudo por que predomina uma
consciência conservadora na sociedade de que quem já foi preso, não importa o
crime que cometeu não merecem uma segunda chance.
Partindo do relato da experiência de
educadores, educandos bem como de demais pessoas envolvidas com o projeto
podemos afirmar que o resultado tem sido bastante positivo. Não só por garantir
o direito de todos, acesso a educação, mas, sobretudo por dar a oportunidade
desses seres humanos construírem uma nova história.
Os educandos com muita disciplina e respeito
aos educadores tem conseguido desenvolver o aprendizado bem rapidamente,
sobretudo em relação a aprender ler e escrever, bem como também melhora o seu
comportamento. Aquele que consegue a liberdade à primeira coisa que tem feito é
continuar os estudos na escola regular.
Só quem já esteve em uma prisão mesmo que só
visitando pode imaginar minimamente a condição de vida daqueles que ali vivem. Mas
o que temos percebido é que a sala de aula tem sido um espaço de construção de sonhos
e esperança de uma nova vida daqueles que ali foram condenados a viver.
Hoje dia 24 de outubro do ano em curso
realizamos uma oficina de formação com os educandos, educadores (Edvaldo,
Luciana, Maísa, Soraia, educador da RECID Pedro Ferreira, Psicóloga Kênia e o
Diretor do Colégio Estadual Professora Ricarda Josivaldo Moreira) onde
sistematizamos a experiência de três meses de educação na Unidade Prisional em
Campos Belos. O resultado se apresenta satisfatório e acreditamos que esses
educandos estão dedicando o seu tempo em uma formação que estar além da leitura
e escrita, mas sobre tudo uma formação para a vida.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Convite – II Etapa da Escola de Formação Política de Educador@s Populares de Goiás
Camaradas,
Das organizações populares, movimentos populares, pastorais sociais entre outras organizações de luta da classe trabalhadora. Queremos convidá-los a participar da II Etapa da Escola de Formação Política de Educadores Populares que acontecerá nos dias 19, 20 e 21 de outubro de 2012.
Nessa segunda etapa teremos como objetivo compreender como se da o processo de criminalização da pobreza e dos movimentos populares e resgatar a história das lutas populares em Goiás bem como refletirmos sobre a necessidade das organizações populares na superação das desigualdades socioeconômicas.
O tema dessa etapa será “Educação Popular – Sonhos e resistência nas lutas dos movimentos populares contra a criminalização.” Sendo que no dia 19 de outubro ás 19h teremos a ciranda popular de abertura da Escola onde estaremos discutindo – As lutas do movimento popular em Goiás. Para tanto contaremos com a assessoria do Professor Davi Maciel (UFG). A Ciranda de abertura da II Etapa da Escola será aberta para toda a comunidade e acontecerá no Centro Cultural Caravídeo.
Já nos dias 20 e 21 de outubro discutiremos sobre “A criminalização da pobreza e dos movimentos populares.” E teremos a assessoria do Advogado Alan Hahnemamm (Cerrado Assessoria Jurídica). Esse segundo momento da escola acontecerá no Assentamento Palmares (Varjão – Goiás), e as vagas são limitadas, por tanto quem for continuar neste segundo momento deve se inscrever pelo e-mail:talhergoias10@gmail.com ou pelo telefone: (062)3203-5322.
O deslocamento para o Assentamento será logo após o termino da Ciranda Popular, sendo que a Rede de Educação Cidadã garantirá o transporte aos participantes bem como alimentação. Orientamos também aos participantes levarem roupa de cama e produtos para higiene pessoal, e também quem quiser levar barraca para acampar, podem ficar a vontade.
Esperamos contar com a presença dos militantes e educadores populares para discutirmos e aprofundarmos a cerca da Criminalização da pobreza e dos movimentos populares em Goiás.
Atenciosamente,
Secretaria Rede de Educação Cidadã de Goiás
Goiânia, 09 de Outubro de 2012.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
ELEIÇÃO MUNICIPAL EM CAMPOS BELOS
VEREADORES ELEITOS NO
MUNICIPIO DE CAMPOS BELOS / 2012
- Nego da Patrola, 591 votos
- Arione, 583 votos
- Juranda, 480
- Márcio Valente, 416 votos
- Sargento Abreu, 382 votos
- Denilson, 381 votos
- Luiz da Ótica, 377 votos
- Ari, 364 votos
- Marreta, 346 votos
- Ademir da Sucam, 335 votos
- João Pedro, 297 votos
PREFEITO: Ninha
VICE PREFEITO: Zé Candido
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Modelo do agronegócio desperdiça 35% da produção brasileira de alimentos
4 de outubro de 2012
Da IHU On-Line
Vislumbrando o aumento do consumo de alimentos nos próximos vinte
anos, a expansão agrícola deve considerar as áreas degradadas e investir
em produtos diversificados, oriundos das florestas e biomas do país.
“Só no território amazônico, existe entre 12% e 17% de áreas degradadas,
que poderiam ser utilizadas para produção agrícola”, aponta o diretor
do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA, Adalberto Val. Em
sua avaliação, a agricultura brasileira ainda está “concentrada em
produtos que são extremamente convencionais”, e o país “não está
avançando diante da enorme biodiversidade que tem”.
O desperdício de alimentos gerado pelo atual modelo de
desenvolvimento agrícola é um desafio a ser resolvido. Segundo o
pesquisador, cerca de 30% dos alimentos produzidos vai para o lixo, e
isso significa que de “cada R$100,00 em produtos, perde-se cerca de
R$30,00”. E enfatiza: “Trata-se de uma perda bastante significativa
dentro desse contexto. Se você imaginar que, para um produtor ou um
empregado, essa proporção poderia melhorar sua qualidade de vida,
podemos dizer que vale a pena investir para reduzir essas perdas”.
Segundo o entrevistado, reaproveitar as terras já desmatadas e a
diminuir o desperdício de alimentos dependem do investimento em ciência e
tecnologia. “Há um grande interesse do governo, mas falta pessoal
qualificado para estudar as regiões que têm terras degradadas”, diz em
entrevista concedida à IHU On-Line por telefone. E conclui: “Basta
considerar o caso da Amazônia e dos nove estados amazônicos, ou seja,
cerca de 60% do território brasileiro. Nessa área toda, tem pouco mais
de quatro mil doutores, metade dos quais não está envolvida com a
produção científica, pois muitos se encontram trabalhando com questões
administrativas de uma maneira geral. Então, apesar de o Brasil estar
formando 11 ou 12 mil doutores por ano, a quantidade desse pessoal
fixada nessas áreas do país ainda é bastante frágil e reduzida”.
Confira a entrevista:
Quais são as razões de 35% da produção agrícola brasileira
ir para o lixo? O que isso demonstra sobre o modelo agrícola
brasileiro?
A produção agrícola brasileira está concentrada em produtos que são
extremamente convencionais. Quer dizer, o Brasil não está avançando
diante da enorme biodiversidade que tem. Boa parte dos produtos
agrícolas é desperdiçada ainda no campo, depois em função do transporte.
Apesar disso, cabe ressaltar, por um lado, as possibilidades que o
Brasil tem de avançar de forma bastante significativa no uso de novos
produtos a partir da diversidade biológica. Por outro, um aspecto
extremamente relevante e importante dentro deste contexto é utilizar as
áreas degradadas nos diferentes biomas brasileiros para produção
agrícola. Só no território amazônico, existe entre 12% e 17% de áreas
degradadas, que poderiam ser utilizadas para produção agrícola.
Evidentemente que esse reaproveitamento das terras depende de informação
científica. Portanto, a otimização não só para a redução das perdas
agrícolas, mas também para utilização de áreas degradadas e para a busca
de novos produtos na biodiversidade depende fundamentalmente de ciência
e tecnologia. Por isso é preciso imediatamente direcionar recursos para
que se possam utilizar novas tecnologias.
Eu não estou falando só da produção plantada no solo, mas também de
outros processos de produção de proteínas, como a produção de peixes,
que é uma alternativa extremamente importante e interessante para o
Brasil por conta de sua vasta extensão hídrica. É possível avançar nesta
área de forma significativa. O mundo aponta hoje para uma expansão de
necessidade de alimentos para daqui a 20 ou 30 anos. Então, o Brasil vai
precisar dobrar a produção de alimentos. Em vista disso, se fizer uma
análise geral nos países do mundo que têm condições de atender a essa
demanda, verá que é reduzido o número de países que são capazes de
atender a essa questão e, entre eles, está o Brasil. O Brasil talvez
seja um dos únicos países capaz de dobrar a produção agrícola em um
curto espaço de tempo.
Como estão os investimentos em tecnologias para reaproveitar as áreas degradadas?
Há um grande interesse do governo, mas falta pessoal qualificado
para estudar as regiões que têm terras degradadas. Basta considerar o
caso da Amazônia e dos nove estados amazônicos, ou seja, cerca de 60% do
território brasileiro. Nessa área toda, tem pouco mais de quatro mil
doutores, metade dos quais não está envolvida com a produção científica,
pois muitos se encontram trabalhando com questões administrativas de
uma maneira geral. Então, apesar de o Brasil estar formando 11 ou 12 mil
doutores por ano, a quantidade desse pessoal fixada nessas áreas do
país ainda é bastante frágil e reduzida.
Qual é o custo econômico e social desse desperdício para o Brasil?
Em uma estimativa, o Brasil perde algo em torno de 30% de todo o
processo agrícola. Isso significa que de cada R$100,00 em produtos,
perde-se cerca de R$30,00. Trata-se de uma perda bastante significativa
dentro desse contexto. Se você imaginar que, para um produtor ou um
empregado, essa proporção poderia melhorar sua qualidade de vida,
podemos dizer que vale a pena investir para reduzir essas perdas. Seria
possível treinar melhor as pessoas em um processo de inclusão social
mais efetivo, dentro de um processo educativo mais amplo.
Que mudanças seriam necessárias para reverter esse quadro?
Seria o caso de modificar a logística do transporte ou pensar um novo
modelo de desenvolvimento agrícola?
Temos de caminhar nesses dois sentidos. A tendência geral sempre
foi nos adaptarmos a um modelo pré-pronto e estudar uma melhoria do
modelo. Portanto, precisamos de novos conceitos, novas modalidades para
atuar na agricultura. Por isso o investimento em ciência e tecnologia no
sentido de definir novas formas de transporte, novas formas de
utilização e novas formas de armazenamento para os produtos agrícolas é
fundamental.
Além do desperdício, quais são os outros gargalos que o circuito dos alimentos e a agricultura enfrentam no Brasil?
A questão da segurança alimentar deixa o Brasil fragilizado. Na
realidade, é preciso proteger melhor o processo de produção agrícola no
país, principalmente no que se refere a sistemas que vulnerabilizam a
agricultura. Nesse sentido, é necessário trabalhar fortemente para
proteger o sistema agrícola, por um lado. Por outro, é necessário
precisamos buscar novas variedades agrícolas, que sejam mais produtivas
em determinados ambientes, de forma que se possa ampliar a produção de
alimentos cultivados nas florestas e biomas brasileiros. Na Caatinga, no
Pampa e na Mata Atlântica temos um conjunto bastante significativo de
informações, que poderiam ser transformadas em novas oportunidades.
Portanto, explorar, do ponto de vista da diversidade biológica, novos
produtos e novas variedades é extremamente importante para melhorar a
produção agrícola, inclusive dando mais competitividade a ela.
Outro aspecto extremamente importante é a questão da perspectiva
desses novos cenários de mudanças climáticas que o Brasil e o mundo
deverão enfrentar. Como o sistema de produção agrícola e de produção
animal irão se comportar em cenários em que a temperatura será mais
elevada e nos quais haverá maior concentração de dióxido de carbono na
atmosfera?
Qual é o papel do Brasil diante da crise alimentar? E como conciliar a exportação com o consumo interno?
Tenho insistido muito no seguinte: em algumas áreas o Brasil não
pode ficar a “reboque” das agendas que são geradas em outros países. Por
exemplo, no que se refere à biologia tropical, não há por que copiarmos
ou executarmos uma agenda que não é nossa. O Brasil precisa ocupar o
papel de protagonista nesse contexto de crise alimentar.
Em relação à questão do abastecimento interno, precisamos melhorar o
processo educativo de uma maneira. Nós temos um vício cultural muito
grande com relação ao desperdício de alimentos, e a solução desse
problema depende de uma mudança de postura, que deverá vir a partir de
mudanças profundas nos processos educativos do país.
Na última década o Brasil triplicou o uso de agrotóxicos na
agricultura. É possível desenvolver uma agricultura sem a utilização
desses produtos?
É possível, principalmente com base no manejo biológico, que é
fundamental nesse processo. Em um ambiente natural não é utilizado
agrotóxico. Por que se usa o agrotóxico? Porque estamos trabalhando com
uma variabilidade genética menor. Toda vez que trabalhamos com uma
variabilidade genética menor, tornamos o organismo cultivado muito mais
frágil, e aí a necessidade de usar o agrotóxico é cada vez maior. Na
realidade, precisamos de um processo adaptativo de manejo biológico no
sentido de manter a rusticidade dos organismos, plantas e animais,
diante de um processo de produção que é diferente daquele que tem um
ambiente natural.
Como compreender a crise alimentar do mundo, considerando a
quantidade de alimentos produzidos? A raiz deste problema é econômica e
política?
É mais política do que econômica, e está fortemente relacionada ao
processo educativo. Precisamos melhorar todo processo educativo no
sentido de otimizar o uso dos produtos agrícolas de uma maneira geral.
Se observarmos dentro da nossa própria casa, o volume de alimentos que
desperdiçamos é muito grande. Talvez pudéssemos alimentar pelo menos
mais um terço dos habitantes com os alimentos que desperdiçamos. Como eu
disse, trata-se de uma questão cultural. Precisamos trabalhar essa
questão ao longo do tempo, para que se possa ter uma postura
diferenciada no futuro.
FONTE: http://www.mst.org.br
MST fará grande luta da sua história para exigir a condenação dos crimes em MG
2 de outubro de 2012
Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST
No dia 20 de novembro de 2004, cinco trabalhadores sem terra foram brutalmente assassinados, e mais vinte ficaram feridos após a invasão do acampamento Terra Prometida, no município mineiro de Felisburgo, pelo latifundiário Adriano Chafik Luedy e seus jagunços.
Após oito anos do massacre, cujos responsáveis ainda não foram julgados, a violência no campo em Minas Gerais permanece: em uma manifestação dos quilombolas, que reivindicam uma área em Varzelândia, cuja posse já foi decretada, um jagunço assassinou um quilombola com um tiro nas costas.
De acordo com Afonso Henrique de Miranda Teixeira, coordenador das promotorias agrárias de Minas e membro da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, “a causa principal da violência é a não realização da Reforma Agrária, que já é uma violência em si. Sem ela é que temos a eclosão dos conflitos. Se concebemos que os conflitos agrários se dão por causa da terra, o maior responsável pela violência é o governo ao não realizar a Reforma Agrária”.
A violência no campo ocorre de três maneiras distintas: por meio da contratação de jagunços e pistoleiros pelos fazendeiros, pela formação de milícias armadas, com policiais militares a serviço do agronegócio e dos fazendeiros, e por meio do Judiciário, que tem assinado mandados de despejo com regularidade.
De acordo com Silvio Neto, da direção Estadual do MST, “nem o governo federal nem o estadual vem fazendo ações para reprimir a violência; pelo contrário, são responsáveis pela violência ao não desapropriar terra, deixando os trabalhadores vulneráveis à pistolagem, às milícias e ao poder judiciário”.
Um fator que impulsiona a violência no campo é a negligência com a qual os trabalhadores rurais são tratados ao denunciar aos órgãos oficiais condições de conflito. Segundo Silvio, “o massacre em Felisburgo vinha sendo anunciado três anos antes de acontecer. O MST e a Pastoral da Terra vinham denunciando ao governo, e nada foi feito. Os trabalhadores além de ter que exigir um direito do governo, não são ouvidos diante do clamor de justiça, para que os governos pudessem intervir no massacre anunciado”.
Na mesma linha segue Afonso: “trinta dias antes do massacre, fiz um ofício à regional de polícia local alertando a eles que tomassem providências, porque estava se formava um quadro que poderia levar a consequências muito ruins. Mesmo com o Ministério Público em cima, a ineficiência estatal se fez presente, aliada a um preconceito em relação aos trabalhadores rurais e ao atendimento de suas reivindicações. Isso para mim é o que determinou Felisburgo. O preconceito inviabiliza ações mais efetivas e energéticas por parte do poder público”, denuncia.
O julgamento do mandante do massacre de Felisburgo está marcado para 17 de janeiro de 2013. Para pressionar por justiça e pelo assentamento e indenização das famílias vítimas do massacre, o MST pretende realizar em Minas Gerais diversas lutas e mobilizações. “Estamos nos articulando com um conjunto de outras organizações, e até 17 de janeiro, vamos fazer a maior luta da nossa história para exigir a condenação desses crimes e pedir o assentamento imediato das famílias”.
Milícias
A formação de milícias armadas, formada por policias militares em conluio com os latifundiários, constitui uma das forças mais graves de repressão aos trabalhadores rurais. Os policiais aproveitam da distância e invisibilidade do campo e se utilizam dos equipamentos do estado para cometer atos de violência.
Segundo Silvio, nos locais “onde o agronegócio vai se consolidando, a exemplo do triângulo mineiro, essas milícias vão tendo mais regularidade e atuam com mais freqüência, com métodos repressivos, como despejos forçados nos quais se usam veículos da PM, dirigido por policiais sem farda. Ou então patrulhas da PM com emblemas da sociedade rural, o sindicato patronal dessa região”, relata.
Afonso analisa que, apesar das milícias serem um agravante na violência do campo no estado, medidas estão sendo tomadas para combatê-las. “Temos hoje cerca de 80 jagunços e 20 fazendeiros processados por formação de milícias, em várias regiões do estado. Fizemos prisões preventivas, requeridas pelo MP, chamadas de prisão cautelar, enquanto há o processo de apuração dos casos.
O procurador afirma que o Ministério Público está agindo contra a violência no estado, e que até hoje, com o apoio do Judiciário, não se perdeu nenhum caso. Para ele, o problema está na morosidade com que os processos são julgados no país. “Se as pessoas processadas não foram julgadas até hoje, isso advém das causas relativamente comuns no Brasil, em particular a morosidade judicial. Os processos estão em andamento. A justiça no Brasil não funciona com eficiência. A causa da impunidade aqui tem como causas os meios processuais existentes”.
Dois pesos, duas medidas
Se a lei é morosa para condenar fazendeiros e pistoleiros, ela não falha na hora de ser usada contra os trabalhadores. A juíza da vara agrária federal de Minas Gerais, Rosilene Martins,assinou no último período 14 liminares de despejo para acampamentos dos sem terra, alguns com mais de dez anos de existência, sem verificar se os terrenos cumpriam a função social da terra.
Segundo Silvio, os despejos ocorrem porque “o poder judiciário impõe, diante dessa morosidade do Incra e dos governos em criar os assentamentos, os despejos das famílias, sem que haja para elas nenhuma alternativa para onde ir”. A violência durante as ações de despejos também é comum. “Na hora do despejo é corpo de bombeiro, polícia montada, tropa de choque, geralmente se aliando com a burguesia agrária, usando fogo, veneno e maquinários para destruir os acampamentos”, afirma o dirigente do movimento.
“Na área penal, se o Judiciário anda bem, na área civil é um desastre, sobretudo nas reintegrações. É uma violência cometida contra os trabalhadores rurais no dia a dia. A reintegração de posse é rápida e eficiente porque é uma decisão política, no sentido de manter o status quo, sem qualquer questionamento, baseada no preconceito contra os
trabalhadores. É uma catástrofe jurídica”, completa Afonso.
Para resolver o problema da violência no campo, não só em Minas como no resto do Brasil, é preciso que se realize uma política efetiva de Reforma Agrária. No entanto, não há vontade política do poder público de realizar a Reforma Agrária. “Temos 2200 pessoas assentadas, 2900 acampadas, algumas delas há mais de 14 anos. Não há nada que impeça jurídica e tecnicamente o assentamento dessas famílias, a não ser uma posição política do governo em decretar isso”, afirma Silvio.
Enquanto não houver vontade política para fazer a Reforma Agrária, os trabalhadores e lutadores do campo continuarão sendo alvo de violência. “Na verdade a sociedade brasileira nunca quis fazer a Reforma Agrária, e continua não querendo, e quem se propõe a lutar por ela sofre as diversas formas de violência. Estar num barraco de lona dentro de um grande latifúndio já é uma violência, e ser retirado dali por um estado que não cumpre seu papel é uma violência maior ainda”, diz Afonso.
FONTE: http://www.mst.org.br
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